HEMEROTECA

A imprensa étnica ajudou os imigrantes a perseguir seus sonhos, recriar suas comunidades e se integrar em suas novas sociedades, ao mesmo tempo que ajudaram os imigrantes a preservar suas culturas e línguas nativas.

A imprensa étnica refere-se a múltiplas plataformas: jornais, radiodifusão, podcasts, etc. A Hemeroteca do Instituto Diáspora Brasil (IDB) é um projeto iniciado em parceria com o Institute for Quantitative Social Science (IQSS) da Universidade de Harvard. A Hemeroteca do IDB conta com um acervo  composto de jornais e revistas editadas por imigrantes brasileiros mundo afora.

Além deste acêrvo ainda em papel está sendo digitalizado em parceria com a Biblioteca de Boston e armazanado em sites  Harvard University garantindo de forma gratuíta a presevacão destes exemplares.  Alguns dos jornais mostrados abaixo já formam parte deste acervo. 

Uma das principais funções da nossa hemeroteca é preservar momentos históricos importantes e a preservação da memória da emigração  e dos emigrantes brasileiros. 

Esperamos que ao correr do tempo, esta ferramenta tenha grande utilidade para escritores, historiadores, pesquisadores, jornalistas, entre outros profissionais que necessitam deste tipo de informação.

 

UM POUCO DE HISTÓRIA:

O Novo Mundo – Precursor da Imprensa Diaspórica Brasileira Nos Estados Unidos?

O Novo Mundo foi publicado em Nova York entre 1870 e 1879 para distribuição no Brasil. Publicado em língua portuguesa, o jornal foi fundado por José Carlos Rodrigues, que também era o seu editor-redator. Orfão de mãe, foi criado por uma tia proprietária de grande fazenda de café em Cantagalo. O pai, também rico fazendeiro de café, mandou-o à capital do país para estudar no Colégio Pedro II e depois para São Paulo, onde se formou em direito. Logo que terminou o curso, em 1864, veio para o Rio onde praticou a advocacia por um curto período. Em 1866 foi chamado para o cargo de oficial de gabinete por um ex-professor seu que tinha sido nomeado para o Ministério das Finanças. Sua carreira, no entanto, foi interrompida de forma abrupta por um processo criminal descrito em suas biografias como a falsificação de uma ordem de pagamento. Assim, em 1866, José Carlos Rodrigues abandona sua vida no Brasil e emigra para os Estados Unidos, voltando ao Brasil somente vinte anos depois quando da prescrição do processo de estelionato. 

Em 1870 José Carlos Rodrigues funda O Novo Mundo, que, segundo George C. A. Boehrer,1 atingiu uma tiragem de oito mil exemplares, número este, segundo confirmação de Charles A. Gauld, “muito significativo para aquele tempo.“2 Além de notícias de interesse geral para os brasileiros, o jornal abrangia temas relativos à ciência, comércio, invenções, religião, literatura e o progresso geral na América do Norte. O jornal, assim como seu editor, atribuiu aos Estados Unidos o papel de exemplo de progresso a ser seguido pelo Brasil. No edital publicado no primeiro número, José Carlos Rodrigues escreve:

“Depois da guerra intestina dos Estados Unidos, o Brasil e a América do Sul tem procurado estudar profundamente as coisas deste país. O Novo Mundo propõe-se a concorrer para este estudo, não dando notícias dos Estados Unidos, mas expondo as principais manifestações do seu progresso e discutindo sobre as causas e tendências deste progresso.”

O Novo Mundo não foi, no entanto, o primeiro periódico impresso no exterior direcionado para o Brasil. Este ineditismo coube ao Correio Brasiliense, produzido em Londres, de propriedade de Hipólito José da Costa Furtado de Mendonça. Produzido mensalmente, o Correio Brasiliense circulou de junho de 1808 a dezembro de 1822.3,3a

Brasileiros em Londres

Enquanto o Censo Britânico de 2001 enumerava apenas 8 mil brasileiros morando em Londres, estimativas não oficiais punham este número entre 15.000 e 50.000 (Cwerner, 2001). Hoje, organizações brasileiras baseadas em Londres estimam que…

Brasileiros nos EUA e em Massachusetts

Este documento é patrocinado pelo Instituto Gaston e pelo Instituto Diaspora Brasil (IDB). Ele atualiza o relatório ‘Brasileiros nos EUA e em Massachusetts: Um Perfil Demográfico e Econômico’ publicado em 2007 por Álvaro Lima e Carlos Eduardo Siqueira.

As comunidades imigrantes…

Giovana Costa

Giovana Costa, Boston, MA, Estados Unidos

Beatriz de Ruiz

Beatriz de Ruiz, New York, NY, Estados Unidos

Alcinda Saphira

Alcinda Saphira, New York, NY, Estados Unidos

Tanto o Correio Brasiliense quanto O Novo Mundo, nasceram em momentos políticos singulares. O primeiro enfrentando a censura imposta pelas autoridades coloniais, e o segundo esta imposta pelo regime imperial brasileiro. Assim, O Novo Mundo nasce numa década de intensas lutas que culminaram com a abolição da escravatura, em 1888, e a proclamação da República, no ano seguinte.

Entre seus colaboradores, o Novo Mundo contou com a participação do poeta maranhense Joaquim de Sousa Andrade, o Sousândrade, como secretário e redator a partir de 1875. Nesse mesmo ano, O Novo Mundo passou a ser uma corporação com Sousândrade ocupando também o cargo de Vice-Presidente. Segundo Gabriela Campos,4 Sousândrade serviu como contraponto ao entusiasmo acrítico de José Rodrigues em relação aos Estados Unidos e suas instituições. Há quem veja no seu poema “O Inferno de Wall Street,” um dos treze cantos da sua obra máxima o Guesa, uma crítica ao capitalismo liberal americano, à sua riqueza excessiva, à corrupcão e à hipocrisia de algumas práticas religiosas.5
Sousândrade nasceu em Guimarães em 9 de Julho de 1832. Era filho de comerciantes de algodão, produto de exportação que rendeu ao Maranhão e a várias das sua famílias riqueza significante.Esta situação lhe proporcionou a vida entre o Brasil, a Europa e os Estados Unidos. De 1853 a 1857, graduou-se em Letras na Sorbonne (Paris), além de ter cursado também em Paris, Engenharia de Minas. Em 1870, aos 38 anos, estabeleceu residência nos Estados Unidos onde começa a colaborar com o periódico O Novo Mundo.6
No final do século XIX, volta para São Luís para lecionar Grego no Liceu Maranhense. Republicano convicto, comemora com entusiamo a Proclamação da República e, em 1890, foi eleito Presidente da Intendência Municipal de São Luís. Participou ativamente da política maranhense realizando a reforma do ensino, fundando escolas mistas, além de idealizar a bandeira do estado com sua cores representando as diferentes raças e etnias que construíram a sua história.
Foi candidato a senador em 1890, mas desistiu antes da eleição. No mesmo ano foi presidente da Comissão de preparação do projeto da Constituição maranhense. A despeito de ser considerado louco, Sousândrade, no final da sua vida, foi ignorado por todos, morrendo sozinho e na miséria em 21 de Abril de 1902 na residência dos seus antepassados, a Quinta Vitória no bairro dos Remédios.Após anos de esquecimento, a obra de Sousândrade tomou importância quando da publicação da “Revisão de Sousândrade” pelos irmãos Augusto e Haroldo de Campos. Segundo Augusto de Campos, “… no quadro do Romantismo brasileiro, mais ou menos à altura da denominada segunda geracão romântica, passou clandestino um terremoto, Joaquim de Sousa Andrade, ou Sousândrade, como o poeta preferia que o chamassem, agitando assim, já na bizarria do nome, aglutinando e acentuando na exdrúxula, uma bandeira de guerra.”7

Sousândrade pode ser considerado um dos escritores visionários do século XIX e, por isso, além do seu tempo. Sua obra é ousada e original, desde a escolha dos temas sociais, nacionalistas e nostálgicos, assim como o uso de palavras estrangeiras e neologismos. Revolucionária para a sua época, a sua obra pode ser considerada como precusora do Simbolismo e do Modernismo antecipando inclusive o uso de certas técnicas da poesia contemporânea (Augusto e Haroldo de Campos). Em 1877, ele mesmo escreveu: “Ouvi dizer já por duas vezes que o “Guesa Errante” será lido 50 anos depois; entristeci – decepção de quem escreve 50 anos antes.” (Sousândrade, 1877).

Quando O Novo Mundo deixou de circular em 1879 devido ao aumento dos impostos sobre a entrada de impressos no Brasil,1 cento e oito números haviam sido publicados. Esses 108 números do jornal O Novo Mundo podem se acessados no link abaixo:

 https://drive.google.com/drive/u/0/folders/0B5dHeVu99FTlc0ZxTnVYQ2pxdUU

 

Referências:

1. Boehrer, G. C. A. José Carlos Rodrigues and O Novo Mundo, 1870-1879. Jornal of Inter-American Studies. Miami, n.1, 1967. p. 127-144.

2. Guald, C. A. José Carlos Rodrigues, O Patriarca da Imprensa Carioca. Revista de História. São Paulo, n. 16, 1953. p. 427-438.

3. Martins, A. L. Revistas em Revista: Imprensa e Práticas Culturais em Tempos de República, São Paulo (1890-1922). São Paulo: Edusp, 2008.

3a. Sodré, N. W. História da Imprensa no Brasil. Rio de Janeiro: Mauad, 1999.

4. Campos, G. V. de. O Literário e o Não-literário nos Textos e Imagens do Periódico Ilustrado O Novo Mundo (Nova Iorque, 1870-1879). Dissertação (Mestrado em teoria Literária) – Instituto de Estudos da Linguagem, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2001.

5. Ibid.

6. Asciutti, Mônica Maria Rinaldi. Um Lugar para o Periódico O Novo Mundo (Nova Iorque, 1870-1879).

7. Campos, A; Campos H. ReVisão de Sousândrade. São Paulo: Perspectiva, 2002.

A MÍDIA DIASPÓRICA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA:

O levantamento sobre a mídia brasileira emigrante, realizada pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil, registrou 216 veículos midiáticos de vários tipos,1 incluindo a existência da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-I). Além destes veículos, a comunidade brasileira sustenta quatro das maiores redes de televisão nacionais com transmissão diária via cabo ou satélite – a TV Globo Internacional, a TV Record Internacional, a Band Internacional e a televisão pública TV Brasil Internacional.

Esse número, no entanto, subestima muito o universo da mídia brasileira. Uma pesquisa informal, publicada no número 23 de O Jornal Brasileiro, em 13 de março de 2010, aponta, por exemplo, que somente em Massachusetts existem 114 programas de rádio brasileiros ativos, na sua maioria apresentados por pastores ou pessoas ligadas a igrejas, sem contar os programas transmitidos via Internet. Segundo o mesmo artigo, três emissoras de rádio detêm a maior parte do mercado brasileiro em Massachusetts: 650, 1230 e 1360, todas AM.

Mais recentemente, os brasileiros têm utilizado a web como meio de comunicação. Embora não haja números relativos à quantidade de websites voltados para a comunidade brasileira, estima-se que tais números alcancem a casa dos milhares. Os sítios de relacionamento são um dos meios mais utilizados pelos brasileiros, existindo centenas de grupos espalhados pelo Facebook, Orkut e LinkedIn.

Cada vez mais a mídia imigrante brasileira desempenha um papel fundamental na produção e difusão de informações de utilidade pública e modela percepções sobre a comunidade brasileira, seus avanços, problemas e perspectivas futuras.

Lançado em setembro de 1969, na chamada ‘Tri-State Area’ (os estados de New York, New Jersey e Connecticut), o Brasil News foi o primeiro jornal com foco na vida dos imigrantes brasileiros na América.2 O feito pioneiro e histórico do jornalista Al Sousa, idealizador do Brazil News, acaba de completar 40 anos.3

O MERCADO DA MÍDIA BRASILEIRA NOS ESTADOS UNIDOS:

Em 2009, a ABI-Internacional realizou uma pesquisa4 focada nos hábitos de consumo midiático dos brasileiros residentes nos Estados Unidos, abarcando mais de mil entrevistados. Como resultado, destaca-se que:

  1. A mídia impressa segue tendo um forte elo com a comunidade brasileira, com 44% dos respondentes apontando esses veículos como os principais meios de informação sobre a comunidade brasileira, seguidos da televisão (33%), internet (21%), e dos programas de rádios e outras fontes, representando somente 1% cada;

2. Quanto ao conteúdo de maior interesse, são mencionadas em primeiro lugar as notícias relativas às questões migratórias (31%), seguidas pela temática dos esportes (28%), arte e cultura (24%), economia e negócios (65%), política (3%), colunas sociais (2%) e assuntos diversos (1%);

3. Quando perguntados sobre o que mais falta aos veículos de comunicação brasileiros, 59% dos entrevistados afirmaram sentir falta de uma maior quantidade de conteúdo local (59%) e da cobertura de artes e cultura (28%). Outros 14% prefeririam ter mais acesso à cobertura de eventos sociais5; seguido de cobertura fotográfica (11%), esportes (6%), utilidade pública (4%), política (3%) e economia (1%).

A maioria dos entrevistados (73%) reside nos Estados Unidos há mais de cinco anos; dentre estes, 42% vivem no país há mais de dez anos e 61% deles pretendem continuar vivendo no país por dez anos ou mais, representando, assim, um mercado estável.6  Apesar de 36% dos entrevistados declararem que vieram para os Estados Unidos para fazer seus “pés de meia,” 38% deles alegaram razões ligadas à qualidade de vida, incluindo a segurança, fator que somado a melhores oportunidades profissionais (17%), mostra que 55% dos brasileiros tinham como motivo para emigrar não só o aspecto financeiro, mas as questões de estabilidade social, característica que explica o porquê do aumento contínuo da imigração mesmo depois do país começar a crescer.7,8

No que diz respeito às características relativas à idade, origem, e ocupação, a maioria dos entrevistados estão entre as faixas etárias de 26 a 35 anos (35%), seguidos pela faixa etária entre 14 e 25 anos (25%); 36 a 50 (22%); e acima de 50 anos (18%). Esta distribuição mostra um mercado ormado na sua maioria por um leitor jovem, isto é, um leitor entre 14 e 35 anos (60%).9

Quanto às origens, a maioria dos leitores são oriundos da região sul e sudeste brasileiro, tendo os provenientes de Minas Gerais a maior proporção (37%), seguidos por aqueles oriundos de São Paulo (18%), Rio de Janeiro (14%), Goiás (11%), Paraná (7%), Espírito Santo (3%), Ceará (2%), Bahia, Pernambuco, Rondônia, Paraíba, Rio Grande do Sul e Santa Catarina com 1% cada, restando 2% para os demais Estados.

Por fim, no que diz respeito às suas ocupações, os imigrantes brasileiros estão concentrados majoritariamente no setor terciário ou de serviços, como pode ser visto no gráfico ao lado. Os estudantes e os empresários representam 8% e 4% dos leitores, respectivamente.10

BENDIXEN & ASSOCIATES. Ethnic Media in America: The Giant Hidden in Plain Sight. 2005. (Pesquisa feita para a “New California Media – NCM” em parceria com o Center for American Progress Leadership Conference on Civil Rights Education Fund.) Disponível em:

http://www.digaai.org/wp/pdfs/ncm_ethnic_midia.pdf.

BENDIXEN & ASSOCIATES. Ethnic Media in America: The Giant Hidden in Plain Sight. 2005. (Pesquisa de Opinião Pública dos “Asian American, Hispanic, African American, Arab American and Native American Adults”) Disponível em:

http://www.digaai.org/wp/pdfs/ncm_ethnic_midia_presentation.pdf.

FIRMEZA, George Torquato. Brasileiros no Exterior. Fundação Alexandre de Gusmão, 2007. 

REFERÊNCIAS:

1. FIrmeza, 2007

2. https://sistemas.mre.gov.br/kitweb/datafiles/BRMundo/pt-br/file/Carlos_Borges.pdf

3. https://leccufrj.wordpress.com/2009/11/03/primeiro-jornal-comunitario-brasileiro-nos-eua-completa-40-anos/

4. A pesquisa foi realizada durante os meses de setembro a dezembro de 2009 com mais de mil entrevistados em 11 estados norte-americanos.

5. Fato interessante, dado que somente 2% dos entrevistados preferem esse tipo de conteúdo.

6. Este aspecto se contrapõe à tese de que os brasileiros residentes nos Estados Unidos estão sempre prontos para a volta.

7.  A identificação com o “modo de vida americano” pode também ser entendido como “qualidade de vida”, pois várias pesquisas revelam que o “modo de vida americano” refere-se, muitas vezes, a processos de estabilidade social, respeito às leis, etc.

8. Ver em: Tempo que pretendem ficar.

9. Ver em: Idade.

10. Ver em: Profissões.

HEMEROTECA:

A SEMANA

Porque os Brasileiros Voltam – O Retorno

O artigo “O sonho frustrado e o sonho realizado: as duas faces da migração para os EUA”, de Sueli Siqueira, apresenta quatro tipos de retorno. O primeiro é o “retorno temporário”, quando o imigrante define os Estados Unidos (ou outro país qualquer) como seu local de residência, juntamente à sua família assim como …

Remessas Sociais

As remessas são, em geral, entendidas somente como remessas monetárias. No entanto, elas podem também ter natureza social cultural. Peggy Levitt em seu artigo Social Remittances: Migration-driven Local-development Forms of Cultural Diffusion (1998) e subsequente livro The Transnational Villagers (2001), cunhou o termo “remessas sociais” (social remittances) para realçar o fato de que os imigrantes…

Remessas Monetárias

A globalização está acelerando a migração internacional. Impulsionada por uma série de fatores, tais como a crescente necessidade de mão de obra qualificada e não qualificada nos países desenvolvidos dado o baixo nível de fertilidade e o rápido envelhecimento da população; persistente pobreza…