
A migração constitui um processo social complexo e multifacetado, cujas causas, dinâmicas e consequências são objeto de uma extensa literatura acadêmica. Em termos gerais, migração refere-se ao deslocamento de pessoas de um lugar de residência para outro, dentro ou através de fronteiras nacionais. Emigração e imigração descrevem o mesmo movimento sob perspectivas distintas: emigrar significa deixar o país de origem, enquanto imigrar significa ingressar em um país de destino. Ao longo da história, esses movimentos desempenharam um papel fundamental na formação das sociedades, nos mercados de trabalho e na circulação de pessoas, recursos, conhecimentos e culturas.
Não existe uma única teoria capaz de explicar a diversidade dos movimentos migratórios. A economia neoclássica enfatiza as diferenças salariais e as oportunidades de emprego como fatores que influenciam as decisões individuais de migrar (Todaro, 1969). A New Economics of Labour Migration (NELM), por sua vez, desloca a análise do indivíduo para a família, interpretando a migração como estratégia coletiva para diversificar fontes de renda, reduzir riscos e superar as limitações dos mercados de crédito e de seguros (Stark & Bloom, 1985). Outras abordagens destacam fatores históricos e estruturais, redes sociais e processos transnacionais que conectam países de origem e de destino (Massey et al., 1993).

As redes migratórias ocupam posição particularmente importante nesse processo. Familiares, amigos e membros de uma mesma comunidade que já vivem no exterior podem fornecer informações, moradia, contatos profissionais e outros recursos aos novos migrantes. Essas redes reduzem os custos e as incertezas associados à migração e, uma vez estabelecidas, podem contribuir para a continuidade dos fluxos migratórios, tornando-os parcialmente independentes das condições que os desencadearam inicialmente (Massey et al., 1993). O avanço das tecnologias de comunicação e de transporte ampliou ainda mais a capacidade de manter relações sociais, econômicas e culturais através das fronteiras.
Em determinados contextos, a migração pode tornar-se parte das estratégias familiares e das expectativas sociais de uma comunidade, contribuindo para o desenvolvimento de uma “cultura da migração”. Nesse processo, migrar deixa de ser percebido apenas como uma decisão excepcional e passa a constituir uma alternativa socialmente reconhecida para alcançar mobilidade econômica, segurança ou melhores condições de vida (Massey et al., 1993).
A dimensão desses movimentos é significativa. Segundo as Nações Unidas, em 2024, aproximadamente 304 milhões de pessoas viviam fora de seus países de Nascimento, o que corresponde a cerca de 3,7% da população mundial. Embora esse número tenha praticamente dobrado desde 1990, quando era de aproximadamente 154 milhões, a migração internacional continua sendo uma experiência de uma parcela relativamente pequena da população global.
A migração forçada constitui uma dimensão distinta da mobilidade humana. Conflitos armados, perseguições, violência, violações de direitos humanos e graves perturbações da ordem pública têm gerado níveis historicamente elevados de deslocamento. Em meados de 2024, 122,6 milhões de pessoas encontravam-se em situação de deslocamento forçado em todo o mundo, incluindo pessoas deslocadas dentro de seus próprios países e aquelas que atravessaram fronteiras internacionais. A população global de refugiados era de aproximadamente 43,7 milhões (UNHCR, 2024).
O trabalho permanece entre os principais motores da migração internacional. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), 167,7 milhões de migrantes integravam a força de trabalho dos países de destino em 2022, o que corresponde a 4,7% da força de trabalho mundial. A maior parte encontrava-se em países de alta renda, evidenciando a importância da migração para mercados de trabalho que demandam trabalhadores em diferentes setores e níveis de qualificação (ILO, 2024).
Os efeitos econômicos da migração também se estendem aos países de origem. As remessas enviadas pelos migrantes constituem uma importante fonte de renda para milhões de famílias. Segundo o Banco Mundial, as remessas oficialmente registradas destinadas aos países de baixa e média renda alcançaram aproximadamente US$ 656 bilhões em 2023, superando os fluxos de investimento estrangeiro direto e de assistência oficial ao desenvolvimento. Esses recursos contribuem para o consumo e a estabilidade das famílias e podem financiar investimentos em educação, saúde, habitação e atividades produtivas (World Bank, 2024).
.
As explicações baseadas em fatores de expulsão e atração (push and pull factors) continuam úteis para organizar alguns dos determinantes da migração. Desemprego, baixos salários, violência, instabilidade política e ausência de oportunidades podem estimular a saída, enquanto emprego, segurança, estabilidade, educação e melhores condições de vida podem aumentar a atratividade dos destinos. Entretanto, esses fatores raramente atuam isoladamente. Políticas migratórias, recursos familiares, redes sociais, desigualdades globais e condições institucionais influenciam tanto a capacidade quanto a decisão de migrar.
A decisão de migrar também é seletiva: nem todas as pessoas expostas às mesmas condições econômicas ou políticas dispõem dos recursos, das informações ou das redes necessárias para se deslocar. Custos de viagem, políticas de admissão, responsabilidades familiares e acesso a contatos no exterior influenciam quem consegue migrar e quais destinos se tornam viáveis. Essa seletividade ajuda a explicar por que pobreza, desemprego ou instabilidade, isoladamente, não produzem automaticamente migração e por que indivíduos submetidos a circunstâncias semelhantes podem adotar estratégias distintas.
A migração contemporânea deve, portanto, ser compreendida como resultado da interação entre decisões individuais e familiares, redes sociais, mercados de trabalho, instituições e processos econômicos e políticos mais amplos. Migrar não constitui simplesmente uma resposta mecânica à pobreza ou às diferenças salariais. Trata-se de um processo seletivo e socialmente estruturado, no qual oportunidades, restrições, recursos e relações transnacionais influenciam quem migra, para onde migra e em quais condições ocorre essa mobilidade.
As explicações baseadas em fatores de expulsão e atração (push and pull factors) continuam úteis para organizar alguns dos determinantes da migração. Desemprego, baixos salários, violência, instabilidade política e ausência de oportunidades podem estimular a saída, enquanto emprego, segurança, estabilidade, educação e melhores condições de vida podem aumentar a atratividade dos destinos. Entretanto, esses fatores raramente atuam isoladamente. Políticas migratórias, recursos familiares, redes sociais, desigualdades globais e condições institucionais influenciam tanto a capacidade quanto a decisão de migrar.
A decisão de migrar também é seletiva: nem todas as pessoas expostas às mesmas condições econômicas ou políticas dispõem dos recursos, das informações ou das redes necessárias para se deslocar. Custos de viagem, políticas de admissão, responsabilidades familiares e acesso a contatos no exterior influenciam quem consegue migrar e quais destinos se tornam viáveis. Essa seletividade ajuda a explicar por que pobreza, desemprego ou instabilidade, isoladamente, não produzem automaticamente migração e por que indivíduos submetidos a circunstâncias semelhantes podem adotar estratégias distintas.
A migração contemporânea deve, portanto, ser compreendida como resultado da interação entre decisões individuais e familiares, redes sociais, mercados de trabalho, instituições e processos econômicos e políticos mais amplos. Migrar não constitui simplesmente uma resposta mecânica à pobreza ou às diferenças salariais. Trata-se de um processo seletivo e socialmente estruturado, no qual oportunidades, restrições, recursos e relações transnacionais influenciam quem migra, para onde migra e em quais condições ocorre essa mobilidade.
MASSEY, Douglas S.; ARANGO, Joaquín; HUGO, Graeme; KOUAOUCI, Ali; PELLEGRINO, Adela; TAYLOR, J. Edward. Theories of international migration: A review and appraisal. Population and Development Review, v. 19, n. 3, p. 431–466, 1993. DOI: 10.2307/2938462.
STARK, Oded; BLOOM, David E. The new economics of labor migration. The American Economic Review, v. 75, n. 2, p. 173–178, 1985.
TODARO, Michael P. A model of labor migration and urban unemployment in less developed countries. The American Economic Review, v. 59, n. 1, p. 138–148, 1969.
UNITED NATIONS, Department of Economic and Social Affairs, Population Division. International Migrant Stock 2024: Key Facts and Figures. New York: United Nations, 2025.
UNITED NATIONS HIGH COMMISSIONER FOR REFUGEES (UNHCR). Mid-Year Trends 2024. Geneva: UNHCR, 2024.
INTERNATIONAL LABOUR ORGANIZATION (ILO). ILO Global Estimates on International Migrant Workers: International Migrants in the Labour Force. 4th ed. Geneva: ILO, 2024.
WORLD BANK. Migration and Development Brief 40: Remittances Slowed in 2023, Expected to Grow Faster in 2024. Washington, DC: World Bank, 2024.

Duval Fernandes, 2020.
Precisa de descrição aqui.

Tiziana Caponio, Peter Scholten, Richard Zapara-Barrero, 2019.
The Routledge Handbook to the Governance of Migration and Diversity in Cities focuses on the ways migration and diversity have transformed cities and how cities have responded to the challenges and opportunities offered. Strengthening the relevance of the city as a crucial category for the study of migration policy and migration flows.
Grounded in the European debate on “the local turn” in the study of migration policy, as contrasted to the more traditional focus on the nation-state, the handbook also brings together contributions from North America, South America, Asia and the Middle East.

Mimi Sheller, Kevin Hannam, 2018.
Crossing Borders examines how translocal, transnational, and internal borders of various kinds distribute uneven capabilities for moving, dwelling, and circulating. The contributors offer nuanced understandings of the politics of mobility across various kinds of borders and forms of cultural circulation, showing how people experience and practice crossing many different borders.
Rather than the usual narrative of mobility as a kind of freedom, border crossing emerges here as an instrumental practice for building translocal livelihoods, a tactic for simply getting by, and a material practice potentially generating new forms of future sociality.

Kate Vieira, 2016.
American by Paper reveals how two groups of immigrants who share a primary language nevertheless have very different experiences of literacy in the United States. It describes the social realities facing documented and undocumented immigrants who use everyday acts of writing to negotiate papers—the visas, green cards, and passports that promise access to the American Dream.
She draws from extensive interviews with Portuguese-speaking migrants who live and work together in a former mill town in Massachusetts:: one group from the Azores, who are usually documented, and another from Brazil, who are usually undocumented.

Leonardo Cavalcanti, Antônio Tadeu de Oliveira, Tânia Tonhati, Delia Dutra , 2015.
Precisa de descrição aqui.

Tara Brian , Frank Laczko , 2015.
Precisa de descrição aqui.

Tiffany D. Joseph, 2015.
Precisa de descrição aqui.

Ministerio da Relações Exteriores, 2015.
Precisa de descrição aqui.

Leonardo Gomes de Sousa, Carlos Alberto Dias, Gilvan Ramalho Guedes, Gabriel Henrique Oliveira, 2014.
Precisa de descrição aqui.

United Nations High Commissioner for Refugees, 2014.
Precisa de descrição aqui.

Cláudia Finotelli, Diego Acosta, Duval Magalhães Fernandes, João Peixoto, 2013.
Esse trabalho é fruto da estreita parceria entre o CNIg e o ICMPD no marco do Projeto “Itineris: Proteção dos direitos dos migrantes contra a exploração, do Brasil para Estados-Membros da União Europeia”, que visa compartilhar experiências e lições aprendidas no campo da governança das migrações. As atividades incluídas no mencionado projeto são planejadas e implementadas com um alto nível de colaboração, a fim de converter em políticas públicas as ações necessárias a respeitar e garantir os direitos dos migrantes, independente de nacionalidade, sexo, idade e status
As ações do projeto Itineris reuniram um volume substancial de informação sobre as necessidades e dificuldades dos migrantes, potenciais emigrantes, famílias e filhos de emigrantes e brasileiros retornados em ter amplo acesso aos seus direitos.

Cláudia Finotelli,Elsa Rodrigues, Erika Masanet,Gleiciani Fernandes, 2012.
Dando continuidade ao 1 o Seminário de Estudos sobre Imigração Brasileira na Europa, realizado em 2010 em Barcelona, propusemos conhecer, analisar e debater os mais recentes estudos desenvolvidos sobre esta realidade, com o intuito de contrastar e comparar as trajetórias e experiências da imigração Brasileira no continente europeu. Foram convidadas para a discussão investigadores/as, e atores da sociedade civil comprometidos com as temáticas ligadas a imigração Brasileira na Europa.
A resposta ao nosso apelo foi massiva, com as contribuições que superarem largamente as nossas expetativas.

Sergio Vicente D. Pamboukian, 2011.
Precisa de descrição aqui.


Kim Knott, Sean McLoughlin, Jeffrey Lesser, Homi Bhabha, 2010.
Precisa de descrição aqui.


Organização Internacional para as Migrações, 2010.
Os Perfis oferecem uma base para compilar informações de diferentes fontes de forma estruturada, a nível nacional e regional. Também fornecem uma ferramenta para identificar lacunas existentes nos dados disponíveis sobre a migração e desenvolver estratégias para melhorar a pesquisa, a análise e a disseminação de informações para os Governos de uma determinada região, com base nas informações e nos dados acessíveis sobre temas de imigração, emigração, condições de mercado de trabalho, diásporas e remessas.
O presente Perfil Migratório do Brasil é um dos quatro primeiros perfis sulamericanos produzidos pela Divisão de Pesquisas da OIM, em coordenação com os escritórios da OIM na região.

Steven Raphael, Eugene Smolensky, 2009.
Precisa de descrição aqui.

Roberto Marinucci, 2008.
Precisa de descrição aqui.

Ministerio da Reslacoes Exteriores, 2008.
Precisa de descrição aqui.


Nobuko Adachi, 2006.
Precisa de descrição aqui.

Maria do Socorro Thomaz Charr, 2005.
Precisa de descrição aqui.

Roberto Marinucci, 2005.
Este artigo tenta elucidar a tipologia da recente emigração brasileira para os Estados Unidos, apontando a época em que iniciou o fluxo migratório e os principais dados estatísticos sobre o número, os lugares de origem e de chegada dos emigrantes.
O artigo ilustra também algumas das características gerais da presença brasileira no país
norte-americano, destacando quatro aspectos: a migração irregular, o índole econômico dos projetos migratórios, as redes sociais e, concluindo, as lutas políticas em busca da plena cidadania.

Jeff Chapman, Jared Bernstein, 2003.
Precisa de descrição aqui.

Ethel V. Kosminsky, Arthur Sakamoto.
Precisa de descrição aqui

Daniela de Carvalho.
Precisa de descrição aqui.

Betsy Teresa Brody.
Precisa de descrição aqui.
© 2022 - Instituto Diáspora Brasil